Governo incorpora aromaterapia, cromoterapia e outras oito terapias ao SUS
14/03/2018 10:58 em Cotidiano

O Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou nesta segunda-feira (12) dez novas Práticas Integrativas e Complementares (Pics). Agora, são 29 os procedimentos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais voltados para curar e prevenir doenças como depressão e hipertensão oferecidos pelo sistema público de saúde.

O ato de incorporação das novas terapias alternativas ao SUS foi assinado pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, na abertura do Primeiro Congresso Internacional de Práticas Integrativas e Complementares e Saúde Pública.

Segundo o ministro, agora o Brasil lidera a oferta de modalidades integrativas na saúde pública, com 5 milhões de usuários em 9.350 estabelecimentos de 3.173 municípios. De acordo com Barros, tais práticas são investimentos em prevenção de saúde, para que as pessoas não fiquem doentes, e evitar que os problemas delas se agravem, que sejam internadas e que se operem, o que gera custos para o sistema e tira qualidade de vida do cidadão.

"Somos, agora, o país que oferece o maior número de práticas integrativas disponíveis na atenção básica. O SUS financia esse trabalho com a transferência para os municípios, e nós passamos então a caminhar um pouco na direção do fazer e não cuidar da doença”, disse o ministro.

CFM chama de "desperdício"

Para o Conselho Federal de Medicina (CFM), as práticas alternativas e integrativas aprovadas pela pasta “não têm base na medicina e são sem evidências”.

"Nós não temos nenhuma prática alternativa que seja reconhecida pelo CFM. Há uma especialidade médica, a acupuntura, que é feita de maneira completamente diferente do que está colocado no SUS como uma prática integrativa. A prática da acupuntura como especialidade médica é feita com base em evidências científicas", afirmou  o presidente da entidade, Carlos Vital.

De acordo com o conselho, essas práticas dentro do SUS "oneram o sistema e não deveriam estar incorporadas". O presidente ainda afirma que o uso de verbas para a área de terapias alternativas é um "desperdício".

No entanto, Barros explicou que a incorporação das terapias chamadas de alternativas ao SUS baseou-se em evidências científicas e na tradição. “Estamos falando de medicina tradicional: ao longo de milênios, essas coisas deram certo. A maioria dos medicamentos é baseada no princípio ativo dessas plantas. Antes, tomava-se um chá de determinada planta e hoje toma-se um comprimindo de uma substância extraída daquela planta, o que faz exatamente o mesmo efeito.” 

Desde 2006, já eram oferecidos pelo SUS os tratamentos de acupuntura, homeopatia, fitoterapia, antroposofia e termalismo. No ano passado, foram incluídas 14 práticas: arteterapia, ayurveda, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturoterapia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia comunitária integrativa e ioga. Agora, somam-se à lista a apiterapia, aromaterapia, bioenergética, constelação familiar, cromoterapia, geoterapia, hipnoterapia, imposição de mãos, ozonioterapia e terapia de florais.

O ministro destaca que, no ano passado, foram 1,4 milhão de atendimentos individuais. A maioria foi de acupuntura, com 707 mil atendimentos. Depois, vieram medicina tradicional chinesa, com 151 mil sessões de tai chi chan e liangong, auriculoteriapia, com 142 mil procedimentos, e ioga, com 35 mil sessões.

Segundo Ricardo Barros, o Congresso Internacional de Práticas Integrativas e Complementares e Saúde Pública vai debater formas de ampliar as práticas de medicina integrais e complementares no SUS e levar as terapias aos municípios.

“Este é o desafio. Primeiro, estamos consolidando a oferta do serviço, permitindo que as estruturas de atenção básica implantem esses serviços e coloquem à disposição das pessoas. Agora é fazer a divulgação e o engajamento dos cidadãos na prevenção, que não é a nossa cultura. Se você vai à China, a cada 50 metros, tem uma casa de massagem. Aqui, a cada 50 metros, tem uma farmácia. Essa é a mudança que precisa ser alcançada”, afirmou.

Na oportunidade, Barros assinou também a incorporação no organograma do Ministério da Saúde da Coordenação de Práticas Integrativas e Complementares, cujo titular será Daniel Amado. O ministro lançou ainda o glossário temático e o manual de boas práticas para as terapias integrativas no SUS.

Leia também: Governo passa a oferecer o DIU em todas as maternidades do SUS

Conheça as dez práticas

Apiterapia – técnica utiliza produtos produzidos por abelhas nas colmeias como a apitoxina, geléia real, pólen, própolis, mel e outros. 

Aromaterapia –  com intuito de promover o bem estar e saúde, método usa concentrados voláteis extraídos de vegetais. 

Bioenergética –  Libera as tensões do corpo e facilita a expressão de sentimentos, a técnica adota a psicoterapia corporal e exercícios terapêuticos.  

Constelação familiar – técnica de representação espacial das relações familiares que permite identificar bloqueios emocionais de gerações ou membros da família. 

Cromoterapia – utiliza as cores nos tratamentos das doenças com o objetivo de harmonizar o corpo. 

Geoterapia – uso da argila com água que pode ser aplicada no corpo. Usado em ferimentos, cicatrização, lesões, doenças osteomusuculares. 

Hipnoterapia – conjunto de técnicas que pelo relaxamento, concentração induz a pessoa a alcançar um estado de consciência aumentado que permite alterar comportamentos indesejados. 

Imposição de mãos – cura pela imposição das mãos próximo ao corpo da pessoa para transferência de energia para o paciente. Promove bem estar, diminui estresse e ansiedade. 

Ozonioterapia –  Usado na odontologia, neurologia e oncologia, promove melhoria de diversas patologias, a técnica mistura gases oxigênio e ozônio que são administrados por diversas vias. 

Terapia de Florais –  para harmonização e equilíbrio, terapia faz uso de essências florais que modifica certos estados vibratórios. 

Opas elogia sistema brasileiro

O encontro sobre medicina complementar atraiu cerca de 5 mil pessoas, que se inscreveram em diversos países. Na mesa de abertura, a diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Carissa Étienne, elogiou o sistema de saúde brasileiro, considerando-o um modelo que “causa inveja ao mundo”, por ser baseado nos direitos humanos e no acesso de toda a população.

Sobre as terapias integrativas, Carissa ressaltou a necessidade de preservar tais conhecimentos, que são passados de geração em geração. “Devemos reconhecer as pessoas que fazem com que essas práticas de saúde permaneçam vivas e que passem de geração para geração", disse a representante da Opas. Os recursos necessários para garantir uma vida saudável e produtiva existem, acrescentou Carissa. "É nossa responsabilidade descobrir como presentear todos os nossos irmãos e irmãs com esse conhecimento.”

Na abertura do congresso, houve apresentações de dança indiana e de índios guaranis.

Veja a lista dos tratamentos oferecidos pelo SUS

Acupuntura 

Homeopatia 

Fitoterapia 

Antroposofia 

Termalismo 

Arteterapia 

Ayurveda 

Biodança 

Dança circular 

Meditação 

Musicoterapia 

Naturoterapia 

Osteopatia 

Quiropraxia 

Reflexoterapia 

Reiki 

Shantala 

Terapia comunitária integrativa 

Ioga 

Apiterapia 

Aromaterapia 

Bioenergética 

Constelação familiar 

Cromoterapia 

Geoterapia 

Hipnoterapia 

Imposição de mãos 

Ozonioterapia 

Terapia de florais

Fonte: Saúde

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